... E o Vento Ficou: os 75 anos de um clássico que revolucionou para sempre o cinema


Um clássico e uma crítica escrita a quatro mãos. Para o Claquete Dez, contamos com a preciosa (e luxuosa) participação do amigo Félix Rabassa, dos Gigantes do Rock. 
Nesse comentário,amigos seguidores, destacamos os 75 anos de ... E o Vento Levou. 



Um filme como ...E o Vento Levou jamais voltará a ser produzido por Hollywood. Apesar de todos os aparatos tecnológicos da atualidade, não há mais a mínima condição.
Luz, câmera, PAIXÃO! 

Em 1936, Margareth Mitchel lança o seu caudaloso romance e transforma-se no maior sucesso literário nos EUA .Vendeu em quatro meses mais de um milhão de exemplares !

David O. Selznick, um visionário de Hollywood não iria perder essa oportunidade. Assim partiu para um dos maiores projetos cinematográficos da história. Contrata três diretores: Sam Wood, George Cuckor e Victor Fleming, o diretor responsável pelo zoom de Atlanta com seus feridos espalhados no chão,Uma cena memorável...
 Assim como é memorável a cena da bela Scarlet O'Hara de Vivien Leigh dizendo que não mais sentirá fome novamente, após a família, devido à guerra, estar perdendo tudo. E a bonachona Nanny, sempre ajudando a belíssima patroa a ajustar as medidas no injusto espartilho. E a se ajustar aos reveses da vida. 
Com um elenco de primeira capitaneado pelo irascível Clark Gable, a linda e talentosa Vivien Leigh, apoiados pela piedosa Olívia de Havilland e Leslie Howard, não tinha como dar errado.
A trama histórica é perfeita. A Guerra de Secessão, a luta pela propriedade da família e o aventureiro Rhet Buttler (que acaba se rendendo ao amor da mimada Scarlet) vivido por  Gable explodiram pelo mundo afora. Considerando que o ano de estreia foi 1939,com os canhões da Segunda Guerra Mundial já rugindo na Europa.
Um filme como ... E o Vento Levou não é para ser comentado,mas sim para ser visto e revisto eternamente. Cada um de nós cinéfilos quanto mais avançamos no gosto pela sétima arte, mais somos obrigados a olhar para trás. 
Lá estão todas as respostas que precisamos para melhor compreender o cinema atual.  
Luz, câmera, AÇÃO!

Missão Impossível: trilha clássica de série é eternizada pelo cinema

Em mais um post da parceria entre o Claquete Dez e o Gigantes do Rock,
vamos destacar uma das séries de maior sucesso na televisão norte-americana: Missão Impossível. Série apresentada de 1966 até 1973 pela rede CBS, teve um componente decisivo durante toda sua trajetória: A TRILHA SONORA. Acompanhe conosco essa história maravilhosa. 
Luz, câmera, MISSÃO! 

Na série, o consagrado compositor Lalo Schifrin, juntamente com a equipe de produção, consegue um encantamento especial de um estopim queimando em cena enquanto, de fundo, roda a inesquecível música da série.

Essa imagem permanece até hoje na retina daqueles que acompanhavam o seriado. O tempo da cena e o sincronismo da trilha vão nos remeter para sempre ao "pan pan... pan pan pan...pan... pan pan pan... pan... pan pan pan...". A música dá o tom de suspense ao filme, a cada aventura vivenciada pelo espião. 

Incrível, não é? Então, agora a gente entende porque quando os Estúdios Paramount resolveram filmar Missão Impossível, o filme, apenas uma coisa foi clara e definitiva. Tudo giraria em torno da inesquecível trilha de Schifrin, apenas ganhando um ar mais atual, sendo remixada por Larry Mullen Jr. e Adam Clayton, do U2.

Um filme com orçamento relativamente baixo (algo em torno de US$ 80 milhões) com um retorno de bilheteria quase seis vezes maior, o que mostra que o filme foi um sucesso. Com a direção de ninguém menos que Brian De Palma e a produção de Paula Wagner e do próprio Tom Cruise, o mocinho do filme, o Missão impossível no cinema deriva um pouco do original na televisão. 

Na produção cinematográfica é dada uma ênfase, talvez exagerada, aos efeitos pirotécnicos e especiais, transmitindo ao espectador uma sensação de 'nonsense' e de realismo fantástico. No seriado da televisão as ações eram mais inteligentes e reflexivas, o sentimento passado era o de trabalho em equipe, onde a astúcia sobrepunha-se à ação, à pirotecnia e ao excesso de efeitos especiais.

Não dá para negar que Missão Impossível é uma peça do mais fino jazz contemporâneo, nessa primorosa execução de Lalo Schifrin, com a big band da BBC. Pode-se observar que a peça é um exercício raro de jam session muito bem ensaiado.

Com vocês, agora, a trilha sonora de Missão impossível...



E agora, para sua comparação, a versão remixada que foi para as telonas.




Luz, câmera, MISSÃO!




Amor e história: ingredientes essenciais do clássico Casablanca


PLAY IT AGAIN, SAM... “You must remember this”...

Quem não se lembra dessa linda melodia, tema do clássico em P&B da Warner Brothers, Casablanca?
O filme, de 1943, consagrou Ingrid Bergman e Humprey Bogart definitivamente, mas inseriu o filme como narrativa histórica (e romântica, evidentemente) dentre as películas imperdíveis a todo cinéfilo que se preze.

Caro seguidor, leia, na sequência ,mais um post da parceria entre o Claquete e os Gigantes do Rock.

Luz, câmera... PAIXÃO!

 
Uma história que poderia ter realmente acontecido no momento da II Guerra Mundial...
 O triunfo da máquina de guerra alemã, de 1939 até 1941 foi assustador, a Europa estava de joelhos. A Inglaterra bombardeada, a França ocupada, a presença alemã no norte da África estava transformando a guerra europeia em uma legítima guerra mundial. O acesso ao Mediterrâneo pelo estreito de Gibraltar era disputadíssimo pela marinha britânica e pelos submarinos alemães. Duas cidades da região, no início dos anos 40, fervilhavam de agentes secretos dos dois lados, Casablanca, no Marrocos e Lisboa, em Portugal.

Aí está a grande sacada dos estúdios Warner, do diretor Michael Curtiz e dos serviços de inteligência Aliados ao conceberem o filme CASABLANCA. A prova disso é que o lançamento do filme que aconteceria em 1943, foi antecipado para 1942.

Em um clima "dark" e surrealista, o diretor transfere o espectador para um clube noturno em Casablanca, cujo proprietário é um aventureiro norte-americano (e, curiosamente nesse momento, os Estados Unidos entram na guerra) que convive com agentes secretos nazistas, franceses e britânicos.

O Marrocos, na época, era um protetorado francês e o roteirista do filme, habilmente, usou um clima de intriga e disputa entre os serviços secretos francês, inglês e alemão para, praticamente dentro do clube noturno, transcorrer a mágica história do filme Casablanca.

Em atuação magistral, o "feio", porém charmosíssimo Humphrey Bogart e a linda Ingrid Bergmann formam o par romântico do filme em uma conturbada relação com um final emocionante.

O tema, um show à parte - O tempero ideal para essa trama foi criado pelo arranjador Max Steiner, que de maneira muito simples coloca a voz de Dooley Wilson e seu piano em uma interpretação magistral para cantar uma das maiores músicas da história do cinema, a maravilhosa "As time goes by".

Indicada para o Oscar de 1944, a música erdeu a estatueta de melhor trilha sonora para o filme "A Canção de Bernadette". Mas não mudou em nada. Essa música  é considerada uma obra-prima do cinema mundial, gravada e regravada, até hoje, pelas maiores vozes do cenário musical.

A frase "Play it again, Sam..." ficou marcada para sempre.


Cena do filme onde Ilsa (Ingrid Bergmann) pede para Sam (Dooley Wilson) tocar e cantar "As Time Goes By" em nome dos velhos tempos.



Amigo seguidor... para curtir mais do Gigantes do Rock acesse o Facebook (facebook/gigantesdorock), o Blog www.gigantesdorock.blogspot.com ou entre em contato pelo gigantesdorock@hotmail.com.


O chegada do som ao cinema: tema do primeiro post da parceria Claquete-Gigantes do Rock


Saudações, amigos do Claquete dez!
Quem pode, hoje em dia, imaginar um filme sem uma boa trilha sonora? Impossível, não é?!

Luz, câmera, INSPIRAÇÃO!!


O som chega ao cinema através de uma produção musical... oscarizada!


A trilha, por vezes, é o que dá o tom à narrativa. Mexe com nossas emoções, faz rir, chorar, torcer pelo protagonista e recordar os melhores momentos mesmo quando, há muito, os créditos subiram...
Pois é justamente sobre essa questão que o blog traz uma novidade que vai agradar em cheio aos seguidores: a parceria com o Gigantes de Rock. Em comum entre mim e os queridos amigos Félix e Rafaela, que atuam no programa de rádio e blog que compõem o projeto Gigantes do Rock, está a paixão pelo cinema e pela boa música.
Vamos conhecer, amigos, a história da primeira música de cinema a receber um Oscar: o tema de "O cantor de jazz", estrelado em 1927 pelo grande Al Jonson (foto).

Al Jonson em "O Cantor de Jazz"

  
Em 1998, o American Film Institute reconheceu, definitivamente, o filme "O Cantor de Jazz" como uma das maiores obras-primas do cinema norte-americano de todos os tempos.

A maior contribuição desse trabalho para a história do cinema foi o advento do som sincronizado com a imagem (antes disso o cinema era mudo, frases eram projetadas na tela e alguns músicos - em especial pianistas - davam um fundo sonoro de acordo com a movimentação da cena).

É a história de um jovem judeu que sai de casa e se torna um cantor de sucesso, desafiando a própria família. Com a morte do pai, o artista abandona a brilhante carreira e retorna à sinagoga, cantando em cerimônias religiosas.

Lançado em 1927, para a realização dessa obra foi escolhido o cantor Al Jolson, vindo do Vaudeville (teatro de revista) e com uma carreira consolidada. Mas a sua consagração só veio após o lançamento do filme, por isso é impossível dissociar a imagem do ator Al Jolson  de "O Cantor de Jazz", já que esse foi o primeiro filme da história do cinema com uma trilha sonora oscarizada. 



Atente para o sincronismo da música com os movimentos labiais do cantor. Essa foi a grande revolução tecnológica da época.



"O Cantor de Jazz" revolucionou o cinema, mas também causou um efeito colateral danoso à indústria cinematográfica. Grandes atores e atrizes, de sucesso reconhecido, perderam o mercado de trabalho. Ou por não terem vozes "sonoras", ou por pura inadaptação ao novo sistema proposto (se mostraram verdadeiros canastrões, porque o que antes era apenas movimentação labial, se tornou arte dramática). Gene Kelly, no filme "Cantando na Chuva", mostra de maneira perfeita o período dessa transição do cinema mudo para o falado. 


Essa cena mostra exatamente os problemas decorrentes da chegada do som ao cinema. 


Os pianistas, saxofonistas, violonistas que sonorizavam os filmes também perderam seus empregos. Miríades de músicos animadores de salas de cinema vagavam desempregados pelas ruas dos Estados Unidos.

De "O Cantor de Jazz" para adiante, o cinema nunca mais foi o mesmo.  Agora, a trilha musical de um filme passava a ser preponderante. Um novo mercado surge com compositores, maestros, arranjadores, orquestras e músicos que iriam transformar para sempre a simbiose música e imagem que perdura até hoje. 



Ficha Técnica


Diretor: Alan Crosland
Elenco: Al Jolson, May McAvoy, Warner Oland, Eugénie Besserer, William Demarest, Otto Lederer, Cantor Josef Rosenblatt, Bobby Gordon.
Roteiro: Alfred A. Cohn, Jack Jarmuth
Fotografia: Hal Mohr
Trilha Sonora: Louis Silvers
Duração: 89 min.
Ano: 1927
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Preto e Branco
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Warner Bros.



Quando o real supera o inacreditável: a aventura da vida em "Argo"


Amigos do Claquete, saudações ainda em clima de Oscar.

"Soy contra" essa coisa de filme "já ganhou" e de apenas comentar os "campeões", mas o filme-post que trago hoje realmente mereceu a premiação recebida.
Eleito melhor filme no Oscar 2013, "Argo", dirigido por Ben Affleck e produzido por ele e George Clooney, conta uma história que nos "cola" na cadeira. A trama conta a história real de uma operação confidencial até o governo Clinton, promovida pela CIA em 1979 no tumultuado Irã do aiatolá Komeini. O cenário é o mais bombástico possível, no qual Komeini tomara o poder após o governo opressor do xá apoiado pelos EUA.
A embaixada americana em Teerã é invadida pela população ensandecida, que quer de volta ao país o tirano xá que está asilado (e supostamente morrendo de câncer) nos EUA para fazer justiça com as próprias mãos.
Na ocasião, cinquenta diplomatas são feitos reféns, mas seis conseguem escapar, destruindo a documentação que indicava sua presença no local. Refugiam-se às escondidas na embaixada canadense. É necessário tirá-los do Irã o mais rapidamente possível.
Juntos, o FBI e a CIA têm toda a sorte de ideias ruins para livrar os diplomatas da morte certa. É aí que entra em cena o agente Tony Mendez (Ben Affleck). Na carona dos blockbusters do cinema da época (como "O planeta dos macacos"), Mendez tem a ideia de "interpretar" um diretor hollywoodiano que rodará um filme de ficção científica (Argo) que se passa no Oriente Médio.
Ele ingressaria no país com o todo o aparato necessário (roteiro, desenho de cada cena e afins), e os diplomatas seriam os atores, cabendo a eles decorar as identidades para eles planejadas. Um plano arriscado, sem dúvida, mas a única chance possível a essas pessoas.
Para isso, Mendez conta com a inestimável ajuda do bastante corajoso (e sem nenhuma papa na língua) produtor Lester (Alan Arkin, engraçadíssimo) e do maquiador John (John Goodman). E da imprensa, é claro, na divulgação desse novo filme.
Um filme imperdível... uma incrível história absurdamente real. Me vi torcendo sozinha em frente à tela em vários momentos. E sei que você, seguidor (a), também vai se ver bem assim...
Segue o trailer de Argo: http://www.youtube.com/watch?v=zsxu8veHK04

Luz, câmera, PURA TENSÃO!

Oscar 2013: Argo e As Aventuras de Pi foram destaque


Aos amigos do Claquete dez, saudações pós-Oscar!

No post de hoje, vamos comentar a 85º edição do Oscar. Muito glamour, um apresentador chato de doer, o anúncio de melhor filme feito pela primeira-dama dos EUA, Michelle Obama e a vitória do novo contra o consagrado. Essas foram as marcas da festa. 


A cerimônia deste domingo à noite foi, para mim, surpreendente por várias razões. Muitos irão dizer que previsões, como a vitória de Daniel Day-Lewis como melhor ator por "Lincoln", já eram esperadas. Contudo, o fato de Ben Affleck (foto abaixo) ter sido o grande vencedor da noite por haver ganhado o maior prêmio da Academia (melhor filme), desbancando feras como Steven Spielberg, não estavam no script. 


O meu favorito, As aventuras de Pi (comentado aqui no Claquete dez na última semana), ganhou quatro estatuetas, sendo que o diretor Ang Lee foi agraciado com a categoria de melhor diretor. 

A expressão de (disfarçado) desapontamento do veteraníssimo Spielberg ao ser desbancado por Lee e depois por Affleck foi inequívoca: o bordão "já ganhou" nem sempre "cola". 

Outra surpresa foi a novata Jennifer Lawrence ter recebido o prêmio de melhor atriz. Aos 22 anos, ela deu um show de interpretação ao lado do igualmente jovem ator e diretor Bradley Cooper (também indicado a melhor ator), desbancando a favorita Emanuelle Riva (pelo dramático e a meu ver, angustiante Amour) e a graciosa Quvezhané Wallis por Indomável sonhadora Wallis, nove anos, e Riva, 86, comemorados ontem, eram a mais nova e a mais velha candidata ao Oscar de melhor atriz, respectivamente.


A música foi um show à parte. Catherine Zeta-Jones e o elenco de Chicago (2003), nos levaram novamente à instigante trama do musical. A linda Anne Hathaway, vencedora da categoria de melhor atriz coadjuvante por "Os miseráveis", acompanhada do grande elenco (em especial Hugh Jackman e Amanda Seyfried) de Tom Hopper, levou o público às lágrimas. E Adele, na execução da canção vencedora, Skyfall, foi esplêndida.


Vale lembrar como exemplo a humildade, carinho e gratidão do diretor e roteirista Quentin Tarantino, ao ser premiado na categoria de melhor roteiro original por Django Livre. 


Listamos, abaixo, amigo (a) seguidor (a), os vencedores em todas as categorias. Dedico esse post a todos que amam cinema!!



Vencedores da 85ª edição do Oscar:


  • Ator Coadjuvante: Christoph Waltz (Django Livre)
  • Atriz Coadjuvante: Anne Hathaway (Os Miseráveis)
  • Curta de Animação: Paperman
  • Filme de Animação: Valente
  • Fotografia: As Aventuras de Pi
  • Efeitos Visuais: As Aventuras de Pi
  • Figurino: Anna Karenina
  • Maquiagem e Cabelo: Os Miseráveis
  • Melhor curta-metragem: Curfew
  • Documentário e curta-metragem: Inocente
  • Documentário em longa metragem: Searching for Sugar Man
  • Melhor filme estrangeiro: Amor
  • Edição de Som: 007 – Operação Skyfall e  A hora mais escura
  • Melhor montagem: Argo (Ben Affleck)
  • Mixagem de Som: Os miseráveis
  • Direção de arte: Lincoln
  • Trilha sonora original: As aventuras de Pi
  • Canção original: Adele / 007 - Operação Skyfall
  • Melhor roteiro adaptado: Argo
  • Melhor roteiro original: Django Livre
  • Melhor diretor: Ang Lee - As aventuras de Pi
  • Melhor atriz: Jennifer Lawrence (O lado bom da vida)
  • Melhor ator: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
  • Melhor filme: Argo

FONTE (LISTAGEM): http://acritica.uol.com.br/vida/Veja-lista-indicados-vencedores-Oscar_0_871712867.htmlhttp://acritica.uol.com.br/vida/Veja-lista-indicados-vencedores-Oscar_0_871712867.html







Fé, razão e amizade são as tônicas de "As aventuras de Pi"


Olá, amigos do Claquete dez! 

É maravilhoso estar de volta! Esse período de ausência do blog me deixou com saudades... 
Mas o Claquete volta hoje à ativa com um filme que está concorrendo a premiações no Oscar 2013. Também é um dos filmes mais incríveis que já vi: As aventuras de Pi (Life of Pi, 2012). 
Sob direção do consagrado Ang Lee, a trama baseia-se no livro homônimo de Yann Martel. Conta a história de Piscine Molitor Patel, nome pomposo que rendeu a nosso protagonista maus bocados no colégio. Dono de uma inteligência perspicaz, Pi resolve, certo dia, associar seu nome ao número de mesmo nome (3,14), tornando-se uma lenda da matemática entre os colegas. 
A toda essa sequência, ficamos sabendo quando Pi "revira" o baú de suas memórias ao ser visitado por um escritor canadense, para o qual conta sua história e o desafia a crer em Deus. 
E adentramos à memória de nosso protagonista... 
Filho de uma bióloga e do dono de um Zoológico de Pondicherry, região francesa da Índia, Pi Patel é um garoto questionador. Busca no cristianismo, no islamismo e no hinduísmo sua conexão com o divino. É compelido pelo pai, no entanto, a conhecer o pensamento racional antes de tudo. Acompanhamos passo a passo a busca de Pi por essa ligação com Deus, as conversas com o pai sobre manter-se racional ante o etéreo. O vemos apaixonar-se pela primeira vez. 
Mas o negócio do pai está indo mal e ele resolve transferir-se com a família (e os animais do Zoo) para o Canadá. Contudo, com a tragédia que se abate sobre o cargueiro japonês em que viajam, Pi tem sua vida inteiramente transformada. 
E se vê, de uma hora para a outra, sozinho no mundo. Tem apenas um bote que divide com o terrível tigre-de-bengala de jeito imponente e nome de gente: Richard Parker. 
Como sobreviver? O que fazer? Onde está Deus diante dessa tristeza? São perguntas que Pi se faz o tempo todo. 
A Parker, indomável, será necessário "dobrar". Por vezes lhe deseja a morte, mas seu caráter e seu coração não permitem deixar a fera morrer quando cai na água em busca de alimento. Vemos nascer, aí, uma história de verdadeira lealdade, em que a amizade, a firmeza e a fé conferem a Pi uma importante lição de vida, para a qual Richard Parker será indispensável.
E é aqui, amigo (a) seguidor (a), que a história começa... Cenas belíssimas e comoventes, texto primoroso e  roteiro perfeito fazem de As aventuras de Pi uma trama imperdível. 

Luz, câmera, PAIXÃO!

Esse post dedico especialmente à minha amiga Maite, com quem tanto aprendo. Segue o trailer.

http://www.youtube.com/watch?v=h5nJkpEvNjE 





Rain Man: os tesouros que o dinheiro não compra


Olá seguidores do Claquete Dez! 
Após alguns meses afastada, volto com força total às postagens. O premiado filme-post de hoje traz uma lição essencial. Conta uma história inicialmente comum. Charlie Babbit é um homem egoísta, ambicioso e que há muito não fala com o pai. Com a morte dele, no entanto, descobre ter um irmão, o qual herda três milhões de dólares com o falecimento do pai. Charlie é a personagem interpretada por Tom Cruise em Rain Man, de 1988, Oscar de melhor filme no ano seguinte. A trama, dirigida por Barry Levinson, seria corriqueira, como as muitas vistas no cinema e acompanhadas via literatura e Jornalismo, não fosse a situação do irmão de Charlie, Raymond, interpretado magistralmente por Dustin Hoffman, vencedor do Oscar de melhor ator pela atuação. Ray é autista e portador da Síndrome de Savant, a qual, durante muito tempo, foi chamada (de certa forma, injustamente) de Idiot Syndrom.
Raymond Babbit é um homem de aproximadamente 40 anos, suas limitações, mas, sobretudo, sua incrível capacidade de memorizar e reproduzir datas, fatos, vozes, números e  demais informações. Seus rituais (só dirigir às segundas-feiras, dormir sempre às 11 da noite, comer sempre o mesmo cardápio e dormir perto da janela) têm para Raymond grande importância. O que gera conflitos entre ele e Charlie. 
          Raymond, como uma criança, interrompe conversas, fala o que sente vontade, entra em ambientes sem ser convidado e compra somente nos mesmos lugares. Enfim, volta-se somente para si mesmo. Algo característico aos portadores da Síndrome de Savant. Ao mesmo tempo em que apresentam deficiências e um comportamento peculiar, permanecendo, por vezes, catatônicos e repetindo sem parar informações, têm habilidades superiores às dos indivíduos ditos normais. Dentre elas, estão: grande facilidade em fazer cálculos complexos (expressa em uma cena em que um paliteiro cai no chão e, em uma fração de segundos, Ray diz haver ali 246 palitos), uma memória fotográfica (quando ele faz uma comparação do estado do carro herdado por Charlie a como este era quando o pai de ambos o visitava, na clínica). 
Sobre a delicada relação entre Charlie e Ray, cabe destacar uma cena em que Raymond tem uma crise nervosa (na cena de aeroporto e na hora em que Charlie prepara o banho de Raymond, na banheira) dão conta de uma relação prévia entre os dois irmãos. 
          Ao longo do filme, porém, o laço entre os irmãos Babbit se fortalece de modo definitivo.  A convivência, inicialmente motivada pelo desejo de tomar posse da herança de Raymond, é uma forma contundente de fazer Charlie perceber o que verdadeiramente tem valor. Este vai se modificando ao longo do filme, tendo, em Ray, uma razão a mais para existir. Vai aos poucos se adaptando às manias e ao jeito inocente do irmão, em nossas vidas. Aquilo que o dinheiro é incapaz de nos dar: o amor.

          Dedico esse post a dois queridos amigos para quem a saúde e o bem-estar do próximo são prioridade absoluta: Dr. Jaime e Dr. Rodrigo. 

         Luz, câmera, MISSÃO

Quando o amor está acima das diferenças: Era uma vez




Amigos seguidores... saudações cinéfilas!




Após um período de correrias e mudanças, estamos de volta semanalmente nesse espaço da blogosfera.


Para começar, falo um pouquinho do filme-post de hoje. Uma produção nacional de 2008, e que traz uma história de romance, que seria clichê não fosse a relação de verossimilhança com a realidade: Era uma vez, de Breno Silveira.


Nina (Vitória Frate) é a única filha do executivo Evandro (Paulo César Grande). Os dois moram em um apartamento de frente para o mar em um dos endereços mais nobres do país, a Av. Vieira Souto, Ipanema, no Rio de Janeiro.


Em frente, em um quiosque de lanches, trabalha o esforçado Dé (Thiago Martins), morador da favela do Cantagalo, que, paradoxalmente, fica próxima à requintada praia. Batalhador e sofrido, Dé trabalha com unhas e dentes para escapar ao destino dos homens de sua família. O irmão do meio fora morto na sua frente por traficantes. O mais velho, Carlão (Rocco Pitanga, em maravilhosa atuação), está preso.


Junto à mãe Bernadete (Cyria Coentro), Dé batalha por uma vida melhor. Eis que um dia o destino dele se cruza com o da jovem Nina. Inicialmente, os dois conversam de maneira informal, mas logo percebem que estão apaixonados um pelo outro.


As diferenças, muitas e notórias, são em muito ultrapassadas pelo amor que sentem. A velha história da menina rica com o garoto pobre é alvo de preconceitos do pai de Nina e também da mãe de Dé. Ambos têm medo que seus filhos se machuquem. Porém, nada disso é suficiente para barrar esse amor.


Nesse meio tempo, Carlão, o irmão de Dé, sai da cadeia e se torna o novo "herói" do morro. Simultaneamente, chega a hora em que Nina e Dé têm de ser mais fortes.


Paixão, dor, tristeza, alegria, criminalidade, amor, suspense: tudo isso faz parte dessa trama. Vale a pena assistir ao filme que tudo tinha para ser um clichê, mas se destaca pela sutileza e riqueza de suas personagens. Um filme que surpreende até os corações menos sensíveis, pois mostra um pouco do Brasil e muito do amor.


O abraço do Claquete vai para Clair, Teresinha, Fernando, Cláudia, Guto e Caetano. E pra todas as pessoas que iluminam minha existência.



Luz, câmera, PAIXÃO.

Recuperar o "tempo perdido"é o mote de O homem do futuro


Olá amigos do Claquete dez...

Estive ávida por voltar a esse nosso espaço da blogosfera. Para (re)começar essa nova fase, trago um filme que, de forma cômica, nos faz rever e nos sensibilizar ante a nossa história pessoal, com seus erros, dores, alegrias e acertos. Nela, aposta-se na seguinte questão: voltar no tempo para consertar o que não nos satisfez, nos livrar das dores de amor, evitar algum arrependimento ou fazer algo que, por medo ou insegurança, deixamos de fazer. Quem de nós, ao menos uma vez na vida, não pensou nisso?
No filme-post em questão, O homem do futuro (2011), essa é a pergunta subjacente. E tudo, evidentemente, por conta “das coisas feitas pelo coração”, como dizia Renato Russo.
Fui assistir ao filme, confesso, motivada pela participação do meu ator favorito, Wagner Moura. Mas despretensiosamente, e por (várias) outras razões, essa história ganhou meu apreço. Dirigido por Cláudio Torres, o filme conta a história do cientista Beto, vulgo Zero (Wagner Moura), que, na juventude, era um cara gago e nerd que cursa a faculdade de Física. Como em toda a história romântica que se preze, o garoto nada popular se apaixona pela menina mais bonita da classe, Helena (Alinne Moraes). E é justamente a suposta “traição” de sua amada na festa de final de ano da faculdade e um humilhante incidente que motivam cada ação de Zero (apelido ganho na noite fatídica) nos 20 anos seguintes.
Frustrado e disposto a fazer qualquer coisa para construir um futuro novo com Helena, ele constrói uma máquina para voltar ao passado a partir do projeto comandado Sandra (Maria Luisa Mendonça), colega de faculdade e amiga de longa data, mas que já não aguenta as maluquices de Zero.
Motivado pela paixão e mais do que disposto para mudar as coisas, Zero volta ao passado. De volta ao ano de 1991, ele “desembarca” na noite da festa, onde, ao som de “Tempo perdido”, do Legião Urbana, consegue mudar as coisas. Até então, mete-se em encrencas hilárias, faz as vezes de adivinho, em um bar onde todos assistem futebol e depara-se com o Zero sonhador e apaixonado que um dia foi.
Porém, tudo seria muito fácil se não fosse a reviravolta causada por essa mudança no passado, a qual tem conseqüências impensáveis no futuro do sonhador Zero. De nerd a canalha, vestido de múmia, príncipe e astronauta, ele descobre que mesmo as experiências dolorosas nos constituem e nos ajudam a quem sabe, tornar o futuro melhor, sabendo viver.
Saí do cinema com a sensação de que há coisas que, irremediavelmente, pensava em mudar. Mas que os erros e acertos é que fazem a gente ser o que e a vida valer a pena. O final? Esse deixo pra você, amigo seguidor, assistir. Terá Zero conseguido reconquistar Helena? A trilha sonora mexe com a gente e, pra quem foi adolescente nos idos de 1991, é referência musical obrigatória. Legião, eternamente.
Esse post com sabor de de já vú dedico a todos que, nos momentos bons e ruins, tristes e venturosos, sempre estiveram presentes de uma forma ou de outra: família, amigos, amores e, sobretudo, à pessoa que fui.


De modo carinhoso, dedico a Dê, André (amigão de loonga data), Clau, Guto e Caetano, Be e Maitê, pessoas mais do que especiais pra mim. Esse post é de vocês.

Luz, câmera, LIÇÃO!

Lembranças da infância: The Goonies





Olá amigos do Claquete dez...

O filme-post de hoje representa uma volta à minha infância. Numa conversa com um amigo, na última semana, falávamos sobre coisas que nos remetiam aos anos 80. Dentre elas, o filme Os Goonies (The Goonies, 1985). Escrito por ninguém menos que Steven Spielberg e Chris Columbus, dois grandes nomes do cinema, e dirigido por Richard Donner, era o favorito de minha irmã. Na produção, atores que se consagraram posteriormente, como Corey Feldman, eram todos pré-adolescentes.
A história se passa num dia chuvoso que tinha tudo pra ser chato. Porém, não é o que acontece. É nesse dia que os amigos Mickey, Data, Chunk e Mouth encontram um mapa de tesouro pertencente a um tal pirata chamado "Willy, o caolho", no sótão da casa de Mickey. Decidem então partir para uma caça ao tesouro, à qual se juntam o irmão mais velho de Mickey, Brand, sua namorada Andy e uma amiga, Stef.
A partir disso, uma divertida aventura se inicia, cheia de perigos, cavernas que são verdadeiros labirintos, quedas d'água, uma perigosa família italiana e um "monstro" que, de monstruosa, só tem mesmo a aparência. O pote de ouro no fim do arco-íris é o navio de Willy, o caolho, abarrotado de ouro.
Mas esse, amigo seguidor, não é o maior tesouro do filme. A união, a amizade entre os garotos e o delicioso ritmo da história é que realmente valem. Não é à toa que Os Goonies é um dos melhores filmes da época em que foi lançado. Um tempo em que éramos mais incentivados, pela mídia, a ser crianças, pensar e querer coisas próprias para nossa idade. Hoje, é bem diferente, mas isso são cenas para um outro capítulo...
Isso sem falar na excelente trilha sonora, cantada pela maravilhosa Cindy Lauper. Confira algumas cenas no link:




http://www.youtube.com/watch?v=SC4soFjUjOc

Enfim, um filme pra se ter em casa e rever sempre!




O abraço especial do Claquete dez, hoje, vai para os queridos amigos Agatha e Fernando, Be, Dê, Clau, Guto, Caetano e Maitê.

Luz, câmera, DIVERSÃO!

O amor e a superação das diferenças dão a letra em Pequena Miss Sunshine





O que somos capazes de fazer para que alguém que amamos concretize um sonho?

É com essa pergunta, amigo seguidor, que inicio esse post nessa nova fase do Claquete Dez. Essa questão tudo tem a ver com o filme-post de hoje, Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, 2006). Além de ser uma maravilhosa história, conta com um elenco excelente, com incrível sintonia em cena.



A produção conta com dois diretores (Jonathan Dayton e Valerie Faris), e mostra, de forma sensível e realista, o cotidiano e, com ele, as dificuldades vividas pela família Hoover. O pai, Richard (Greg Kinnear) é um consultor que, apesar dos fracassos vividos, quer se tornar um grande nome da autoajuda. A mãe, Sheryl (Toni Collete), se vira para segurar a barra da família, no trabalho e, sobretudo, em casa, onde "o tempo fecha" com frequência.




O filho mais velho, Dwayne, fez voto de silêncio até ser aprovado para atuar nas Forças Armadas, seu objetivo. O irmão de Sheryl, o professor universitário Frank (Steve Carell, numa ótima atuação dramática), após tentar o suicídio, vai passar um tempo com a complicada família da irmã. Para completar a parada, o avô, Edwin, totalmente born to be wild, foi expulso do asilo por usar drogas.



Em meio a isso tudo, a pequena Olive (a fofa Abigail Breslin), convive bem com todos. E é justamente ela que recebe um telefonema que, de modo inusitado, une a família em torno de seu sonho de menina. Ela recebe a notícia de que terá três dias para chegar a Los Angeles para concorrer ao concurso de beleza infantil Pequena Miss Sunshine.



Após brigas e muitas trapalhadas, os Hoover embarcam em sua velha Kombi e levam Olivia ao concurso. O caminho até lá, além da distância física desafiadora, revela também a distância existente entre cada um naquele carro. A convivência forçada os faz refletir, brigar, se reconciliar, rever posturas.


Richard, que com sua vontade de ter sucesso, não admite que a filha perca, e começa a repensar o que é realmente vencer. Dwayne, com seu voto, comunica não-verbalmente seu carinho à irmã, apostando em seu sonho. Sheryl, como sempre, contém conflitos e congrega interesses. Edwin, longe de apenas se entorpecer, demonstra o carinho pela neta da melhor forma que pode, ensaiando com ela uma coreografia e tanto. Frank, a seu turno, aprende a se aceitar.




Cada um, a seu modo, faz a sua parte para que Olive chegue ao seu destino. Pelo caminho, evidentemente, muitas risadas, problemas automobilísticos, barracos por tudo e por nada, perrengues os mais diversos, uma morte e, quem sabe, a redescoberta da vida.

O final, assim como a trilha sonora, nos surpreende. A cada cena, em que rimos e choramos, nos identificamos com aquela família. A grande lição, amigo seguidor, é essa. Cada um de nós é capaz de mudar o mundo, o mundo de alguém, especialmente se esse alguém for parte importante de que (quem) temos de mais precioso na vida.




Eu e você somos capazes de, pelos pequenos e grandes gestos, fazer alguém mais feliz. Que a gente se lembre, sempre, que viver é aceitar e até apreciar a diferença, a singularidade de todo ser humano.

Dedico esse post para os que amo, independente de estarem perto ou longe nesse momento. Em especial ao Be, Clau, Guto, Caetano, Paty e à minha família.



Luz, câmera, UNIÃO!




























Novidades em breve



Olá amigos seguidores desse espaço... o nosso Claquete Dez está passando por uma reformulação.
Aguardem novidades para os próximos dias! Segue a dica de filme: O Diabo veste Prada (2007), baseado no livro de mesmo nome de Laurie Weisberger.


Luz, câmera... AÇÃO! Porque cinema é a nossa paixão.


Abraços cinéfilos,

Mah.

Ética, poder e individualidade em xeque: Obrigado por fumar



Promover uma poderosa reflexão sobre ética nos negócios, e, acima de tudo, em nossa vida pessoal. Esse é o mote do filme Obrigado por fumar (2005). Este conta a história do controverso Nick Naylor (Aaron Eckhart), relações-públicas da indústria do tabaco norte-americana. Na história, tal como diz o slogan, Naylor não esconde a verdade, ele a filtra.


Seu ganha-pão, portanto, resume-se a defender os direitos dos fumantes. Para tanto, costuma "flexibilizar" sua ética, falando com convicção sobre o direito que as pessoas devem ter de fumar, se assim o desejarem. E em nome desse objetivo, Nick passa por cima de princípios essenciais, manipulando informações de modo a glamourizar o vício em nicotina em programas de TV e também na ficção. O curioso é que, semanalmente, ele se une aos porta-vozes da indústria bélica e de bebidas alcoólicas para combinar "estratégias" de persuasão.


E muito embora, amigo seguidor, esse filme trate do tema de forma leve, irônica e até cômica, em alguns momentos, a questão é séria. É um, tema que invariavelmente discuto com meus alunos de Jornalismo na cadeira de Assessoria de imprensa. Nick vive, sem dúvida, uma sinuca de bico no campo profissional, mas se eticamente esse campo o desagrada, o ideal seria deixá-lo. Mas ele se insere nesse contexto até a raiz dos cabelos, transformando e sendo transformado pelos lucros.

Nessa roda-viva, Naylor enfrenta opositores, dentre eles as organizações em prol da saúde e antitabagismo e um senador oportunista, Ortolan Finistirre (William H. Macy), cujo projeto de lei é colocar rótulos de veneno nos maços de cigarros, algo semelhante ao que se vê em nosso país.


Para "maquiar" os efeitos deletérios do cigarro, Nick Naylor apela para um agente de Hollywood (Rob Lowe), com a finalidade de fazer com que o cigarro volte a aparecer, nos filmes, nas mãos dos mocinhos.


Ao longo da trama, ele se envolve com a repórter de um jornal de Washington e é sequestrado. É o começo do fim. Do fim do mito e do início da trajetória do indivíduo Nick Naylor, que passa a ser questionado inclusive por Joey, seu filho de dez anos, sobre as escolhas profissionais que faz.

O filme, a meu ver, mexe em pontos nevrálgicos, como vícios, monopólio industrial e, acima de tudo, daquilo que o ser humano, por dinheiro e poder, é capaz de fazer.

Esse post foi escrito especialmente para meus alunos da sétima fase de Jornalismo. Também para meus queridos (sempre questionadores) Dê, Cláudia, Guto, Be, Glauco, Maitê e Fernando.

Luz, câmera, COMUNICAÇÃO!






Mamma mia! O encanto da inquebrável relação entre mãe e filha


Saudações, fiéis seguidores do Claquete Dez!


Após uma pausa em nossas postagens, voltamos com força total... O post de hoje é temático, para celebrar com todas as honras possíveis o Dia das Mães. Mamma mia (2008) é a versão cinematográfica para o espetáculo da Broadway de mesmo nome. A trilha sonora é, exclusivamente, Abba, que até a atualidade é sucesso no mundo todo.

Dirigido por Phyllida Lloyd, o filme, ambientado na belíssima paisagem da ilha grega de Skopelos e contando com um elenco de peso, é um convite a pensar no quanto a vida nos pode ser grata.

A jovem Sophie (Amanda Seyfried, maravilhosa), descobre, pela leitura do diário da mãe, Donna (Meryl Streep, que dispensa comentários) que sua mãe teve, na juventude, três amores. Um deles deve ser seu pai biológico. Para tanto, Sophie, que está de casamento marcado, convida Sam (Pierce Brosnan), Harry (Colin Firth) e Bill (Stellan Starsgard), para a cerimônia.

E o que ocorre durante a trama é simplesmente maravilhoso. Os três ex-amores de Donna vêm para a ilha e começam a conhecer Sophie e a buscar, nela, similaridades que indiquem a paternidade de um dos três. E ficam completamente encantados pela possível filha e pela relação de cumplicidade e carinho que ela tem com a mãe.
Celebração, romance e aventura, tudo regado pelos sucessos do Abba, são as palavras de ordem dessa história.

Mas o mais bonito, para mim, é a interação entre mãe e filha. Uma das cenas mais bonitas é quando, sob o som de Chiquitita, Donna ajuda Sophie a se preparar para o casamento. Vibrei, sorri e me emocionei diversas vezes em frente à telinha. Mais do que nunca, agradeci a Deus pelo papel essencial que a minha mãe exerce em minha vida.

E o pai de Sophie, quem é? Assista a essa bela trama... vale a pena. O elenco, em plena harmonia, faz desse filme algo imperdível.

Mamma Mia, enfim, nos faz refletir sobre a importância de valorizar, com palavras, mas sobretudo com atitudes, as pessoas que estão ao nosso lado e que nos amam verdadeiramente.


Esse post é dedicado à minha avó, que nos deixou no último dia 28 de abril e que foi uma grande mãe e mulher. Dedico, ainda, à "mamma mia" (rs) e a todas as mães. Dedico, também, ao Be, que me apresentou a essa história maravilhosa e divertida.



Sempre o amor: os encontros e desencontros de "500 dias com ela"

"Rapaz conhece garota. Ele se apaixona. Ela não". Essa, amigos do Claquete Dez, é a tônica do filme que assisti na companhia de meu amigo Be no último final de semana, 500 dias com ela (Days of Summer, 2008). Um filme que, confesso, pensei ser mais um "água com açúcar" desses que a Sessão da Tarde não se cansa de reprisar. Mas não.


É uma trama que subverte muitos dos padrões de comportamento aos quais estamos acostumados, no cinema e na vida real. E o diretor Marc Webb acerta em cheio ao nos desafiar com uma história para a qual o final, embora possa vir a ser feliz (dependendo do ponto de vista), pode não ser o esperado "felizes para sempre" ao qual estamos acostumados a esperar. Mostra que, por vezes, somos emotivos demais, e que temos coragem de menos para ir em buscar de possibilidades que nos ajudem na necessária (e individual, sempre) tarefa de ser feliz. Tom, um cara tímido e introspectivo, se apaixona pela nova colega de trabalho, a bela Summer.


Desde que a viu, gostou dela, por muitas razões e por nenhuma em particular. As circunstâncias e o gosto comum pelo som indy dos Smiths os une, inicialmente. Para ele, quando eles se beijam, tem início uma história de amor. Para ela, no entanto, começa ali uma "amizade colorida", um "affair", o que, desde o princípio, Summer deixa bem claro.


Contudo, muitas vezes, os caminhos do amor são imprevisíveis. Tom, com o passar do tempo (retratado no filme de forma não-linear, o que em muito se parece com a forma como, ao rememorar uma história, pensamos) se envolve para valer. Até que o sonho chega ao fim. Ele, ante a negativa da amada, sente ódio, raiva, dor, mas acima de tudo, AMOR, e ferido. Seu intenso sofrimento o faz desistir do trabalho (ironia) de redator de cartões de amor. A forma dolorosa como ele relembra cada fato, cada beijo, cada gesto e cada noite passada ao lado dela faz a gente refletir sobre algo que, ante uma expectativa não contemplada, nos assola. O quanto nos torturamos quando, na vida afetiva, algo foge ao nosso controle, de certa forma, frustrando nossos anseios por vezes fantasiosos.


O amor consiste em ser capaz de continuar admirando alguém dia após dia. É, mesmo conhecendo os defeitos de alguém, querer viver próximo.

Querer, e não precisar estar junto. Mas é, amigo seguidor, acima de tudo, SE amar e viver bem consigo. Summer e Tom, ao trilharem outros caminhos, nos convidam a fazer o mesmo.


Viver implica em amar, em volta e meia se ferir, mas sempre, e irremediavelmente, SER FELIZ. Nota dez também para a trilha sonora... Esse post, seguidor (a) é todo seu.




Abraços claquéticos... Luz, câmera, (DES)ILUSÃO.

Uma amizade imortal: a sensibilidade de Sempre a seu lado


Olá, amigos do Claquete Dez!


A vida, por vezes, nos oferece presentes de valor inestimável, justamente quando menos esperamos. Essa, amigo seguidor, é a tônica do belo filme post de hoje, Sempre a seu lado (Hachiko: a dog's story, 2008, sob direção do sueco Lasse Hallstrom).


Tudo começa no Tibet, quando um filhote de cão da raça Akita, conhecida por sua sagacidade, fidelidade e inteligência, é mandado para a América. A história é baseada em fatos reais ocorridos na década de 1930 no Japão. Escolhi esse filme pelo fato de ele reunir duas de minhas paixões: o cinema e os bichos. Além da linda história, na qual a presença de um animal de estimação muito especial transforma a vida de uma família. Hachiko, ou Hachi, chega a uma pequena estação ferroviária norte-americana.


É aí que os destinos dele e do professor universitário Parker (Richard Gere) se cruzam. O animalzinho foge da gaiola em que veio e "elege" o professor como seu dono. A partir daí, Hachi conquista não somente ao professor, mas a todos nós que assistimos a essa linda história. Os percalços enfrentados por Parker para adotar o cão não são poucos. A oposição ferrenha da esposa, que, ao perder seu cão, pouco tempo antes, ficara muito abalada, é o mais forte.


Porém, a inteligência e jeito carinhoso de Hachi logo conquistam a todos. Seu comportamento fiel com relação a Parker é de impressionar. Todos os dias, quando o professor sai para suas aulas na universidade, Hachi o acompanha, vai para casa e o espera voltar, pontualmente, às 17 horas.


Um dia, entretanto, Parker sofre um enfarte. Tudo muda e, ante a mudança, Hachi, na mudança, acaba indo morar com a filha deles. Entretanto, sua casa passa mesmo a ser a estação de trem, já que os esforços da família em mantê-lo em casa mostram-se inúteis. É lá que, dia após dia, o cão aguarda seu grande amigo. A comunidade, que já conhece os hábitos e a fidelidade de Hachi, passa a alimentá-lo.


É de cortar o coração vê-lo, faça chuva, faça sol, aguardando Parker, que não voltará. A história chama a atenção da imprensa, que relata a história do cão. Enfim, uma história que fica na memória e no coração da gente. Essa trama, longe de ser piegas ou sentimentaloide, nos faz pensar no significado da verdadeira amizade, sendo ela um dos grandes presentes que a vida nos dá.

Dedico esse post a todos os que valorizam os amigos (humanos, caninos, felinos ou afins) e amores verdadeiros. Abraços claquéticos para Líz, Dê, Clau, Laura, Be, Jhonny, Rá e Fernando, fiéis amigos e seguidores desse espaço na blogosfera.


Luz, câmera, ADMIRAÇÃO.

Cisne negro: quando a emoção insandece


Olá, amigos do Claquete Dez... saudações cinéfilas, ainda em clima de Oscar.


Diferentemente dos filmes-posts anteriores, não falaremos de uma trama edificante ou "happy end", mas de uma história densa e, na mesma proporção, assustadora: Cisne negro.
A primeira vez que vi Natalie Portman em cena foi em um dos filmes da saga Star Wars, interpretando a mãe de Luke Skywalker, princesa Amidala. Seu talento, o que ficou evidente também ao assistir ao filme V de Vingança, não era algo novo para mim.

Entretanto, foi no perturbador Cisne negro (Black swan, 2010) que ela obteve sua total consolidação como grande atriz. Fui assistir à trama de Darren Aronofsky nos últimos dias do feriadão de carnaval, e valeu a pena. Na história, Portman, recém sagrada pela Academy Awards com o Oscar de melhor atriz, interpreta a talentosa, disciplinada e reprimida bailarina Nina Sayers.
Para fazer esse papel, percebe-se, amigo seguidor, que a atriz entregou-se completamente. As cenas são fortes, contundentes, chocantes e perturbadoras em muitos momentos. Aproveitei um dia em que estava com tempo livre para vê-lo.

Convidada a interpretar, no balé O lago dos cisnes, o duplo papel de cisne branco (bom, calmo e virginal) e cisne negro (maligno, agressivo e astuto), Nina decide que será a titular do papel após a aposentadoria da primeira bailarina da companhia, Beth McIntyre (Winona Ryder, em um papel em que as contradições e angústias bem próprias da condição feminina são magnificamente trabalhados pela atriz).

Ao tentar moldar-se para o difícil e dúbio papel, Nina é convidada a ser menos técnica e, consequentemente, mais segura em cena. Entretanto, ao lidar com a necessidade de trabalhar, digamos, o seu lado "sombrio", Nina entra em uma paranoia que a faz desmoronar completamente. A marcação cerrada da mãe (Barbara Hershey), uma bailarina aposentada que projeta na filha todas as suas expectativas e frustrações, a infantilizam (a começar pelo quarto, repleto de bichos de pelúcia) e distanciam da necessidade que todos temos de trabalhar nossa individualidade e de lidar com questões próprias do mundo adulto, como relacionamentos, sexualidade e autoconfiança. Ela, para a mãe, tem de ser tudo o que a própria não pôde ser. O que, vamos combinar, é pesadíssimo para qualquer ser humano.

A presença de Lily (Mila Kunis), sua possível substituta no papel e a cobrança constante do dono da companhia de dança, Thomas (Vincent Cassel, excelente no papel) a fazem colocar em prática seu lado B.

Uma infinidade de fantasias, delírios e visões por vezes violentas assustam o telespectador. Natalie Portman, com esse papel, a meu ver, questiona as cobranças feitas à mulher na sociedade, mas sobretudo nos contextos em que o feminino impera (balé, moda, etc.).

Na dança, metaforicamente, ela dialoga e se entrega, de forma brutal, à insanidade de não haver vivido a própria individualidade. O preço do papel, o qual Nina conquista, pode ser altíssimo.

Apesar de o filme ser uma verdadeira "pancada" , vale muito a pena ver Portman em cena.

O abraço do Claquete hoje vai para todos os que, como eu, nunca se furtam a assistir a uma boa história na tela, mesmo quando, em alguns momentos, desejamos para ela outro final.
Luz, câmera, REFLEXÃO.